O diagnóstico endodôntico pode ser desafiador quando os aspectos radiográficos e clínicos não se correlacionam.
Paciente sexo feminino, 50 anos, procurou atendimento no Centro de Especialidades Odontológicas de Senador
Canedo, Goiás, queixando-se de desconforto e inchaço na mucosa vestibular dos dentes 32, 31 e 41. A radiografia
periapical revelou área radiolúcida envolvendo as raízes dos dentes 32, 31, 41 e 42. Os testes de percussão vertical e horizontal foram negativos e o de sensibilidade pulpar a frio foi positivo em todos os dentes. Como o dente 31
apresentava alteração de cor na coroa, foi realizado teste de cavidade para a certificação da vitalidade pulpar cuja
resposta também foi positiva. Assim, a hipótese diagnóstica inicial foi de lesão não-endodôntica. Após anestesia, foram realizados punção aspirativa, biópsia excisional e encaminhamento para o Centro Goiano de Doenças da Boca (FOUFG, Goiânia/Go). O diagnóstico anatomopatológico foi de granuloma periapical contrariando os testes anteriormente realizados. Após laudo conclusivo, o dente 31 passou pelas etapas de abertura, preparo do canal com sistema Protaper Universal (Denstply-Maillefer), irrigação com solução de NaOCl a 2,5% e EDTA 17%, medicação intracanal com Ca(OH)2 P.A. e soro fisiológico e obturação com cimento endodôntico Sealapex (Sybron Endo) após 21 dias. O controle radiográfico de 3 anos mostra completo reparo tecidual. O objetivo deste estudo foi descrever um relato de caso em que os sinais e sintomas clínicos não foram compatíveis com os achados anatomopatológicos discutindo a importância de esgotar todos os recursos diagnósticos para a tomada de decisão adequada.