Os avanços tecnológicos impactaram, dentre muito aspectos, na forma de se fazer publicidade de produtos e serviços voltados ao público infantil. Se antes a propaganda estava restrita aos intervalos de um desenho animado, hoje, as crianças estão sob impacto da publicidade em muitos momentos: quando seguem influenciadores digitais, jogam em aplicativos ou a sistemas de vídeos com testes de brinquedos e produtos infantis, por exemplo.

“A informação transita mais rápido, o acesso é maior, o volume de marcas e anunciantes aumentou”, relata a publicitária e coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Fasam – Faculdade Sul-Americana, Jullena Normando. Ela explica que a crescente digitalização sobrecarrega o público de mensagens de todos os tipos, o que trouxe um novo desafio para que as marcas consigam engajar consumidores cada vez mais exigentes: “As empresas precisam ser criativas, atrelando as características dos produtos a uma experiência de marca”.

Jullena alerta que, neste cenário, as crianças tendem a ser mais vulneráveis que os adultos, pois não possuem opinião formada, nível de informação adquirido ou educação formal e cultural. “Por isso, a publicidade voltada à criança também tem que seguir padrões da autorregulamentação publicitária. Aquelas marcas que trabalham com ética, promovendo produtos e serviços de forma sensível, sem explorar a ingenuidade da criança, sem dúvidas, fazem algo bom”, diz.

Consumo

Outro aspecto que demanda atenção é a proteção de dados. Além de poder estar sob influência de uma publicidade velada, existe a possibilidade que os dados da criança sejam coletados sem que os pais sequer tomem conhecimento disso. Essas informações, inclusive, são utilizadas para adaptar publicidades futuras àquilo que tenha maiores chances de agradar o usuário.

Para a publicitária, além de estarem atentos ao uso dessas ferramentas, monitorando as crianças, os pais devem abordar com os filhos temas relativos ao consumo, tanto de produtos e serviços, quanto de informação. “’Ter’ e ‘Ser’ são coisas muito diferentes, mas é preciso que o ‘Ser’ aprenda sobre o que é ‘Ter’ e ‘Não ter’, e os pais são fundamentais neste processo”, orienta a publicitária e coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Fasam – Faculdade Sul-Americana, Jullena Normando.

Dicas para driblar a Publicidade Infantil Negativa

1) Cuidado com os dados compartilhados com aplicativos, como jogos de entretenimento instalados no celular. Informações sobre a criança ou os pais podem ser obtidas no momento da instalação e usadas pelos desenvolvedores dos apps para outros fins.

2) Tenha senso crítico e observe a forma como os perfis ou canais nas redes sociais falam sobre as marcas. Quem faz publicidade de forma ética deve deixar explícito que se trata de um anúncio.

3) Instale um bloqueador de publicidade no seu computador, tablete ou celular e utilize a navegação anônima em sites. Isso irá ajudar a reduzir a exposição do seu filho a propagandas, além de impedir que a publicidade use seus dados para direcionar um conteúdo específico que tenha maiores chances de atrair a criança.

4) Ao oferecer o celular ou tablete para a criança você pode desabilitar a internet, ativando o “modo avião”. A falta da conexão vai impedir que publicidades sejam carregadas enquanto a criança joga em um aplicativo, por exemplo.

5) Supervisione o uso das tecnologias. É essencial saber ao que a criança tem acesso, com quais canais ela interage e o que está sendo dito nesses meios.

Fonte: Jullena Normando – coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Fasam – Faculdade Sul-Americana